[RESENHA] La Llorona - Marcela Serrano

Hey, pessoas!

Hoje é dia de resenha, e venho mostrar a vocês as minhas impressões sobre o livro La Llorona, cortesia recebida pelo blog da nossa editora parceira Primavera Editorial.



TÍTULO: La Llorona
AUTOR: Marcela Serrano
EDITORA: Primavera Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 152 páginas
SINOPSE: O romance La Llorona (A chorona) faz alusão a uma lenda de origem mexicana muito popular em alguns países da América do Sul, sobre uma mulher que constantemente chorava e gritava o nome dos filhos que ela mesma havia assassinado. A autora conta a saga de uma mulher humilde em busca da filha que desaparecera do hospital poucos dias após o nascimento. Unida a mulheres que vivenciam o mesmo drama, a protagonista busca respostas e reformula sua vida de maneira surpreendente. Mesmo sem ter instrução e o apoio do marido, ela inicia uma luta contra o sistema corrupto que envolve os hospitais da região. Com a ajuda de Olívia, uma advogada, ela organiza uma associação de combate a tais crimes e ganha a inimizade de muitas pessoas, que, para enfraquecê-la diante da sociedade, começam a chamá-la de “A Chorona”, associando-a à lenda, como uma acusação velada. Crítica social e solidariedade entre as mulheres estão presentes em trechos emocionantes dessa obra.

     

Quando olhei o catálogo da nossa parceira, Primavera Editorial, eu ainda não sabia o livro que iria solicitar. Foi desse modo que conheci La Llorona, por acaso e sem nenhum tipo de pretensão. Solicitei o título, confesso, por mera curiosidade, mas hoje posso afirmar com certeza que a minha relação com os livros publicados pela Primavera está cada vez melhor: La Llorona me surpreendeu do jeito mais bonito que poderia!

Marcela Serrando nos apresenta aqui a história de uma mulher humilde, cheia de esperança. Ela está grávida, e tudo está preparado para receber o bebê. Quando ela dá entrada no hospital, para que o nascimento finalmente aconteça, alguma coisa dá errado, e ela é informada que seu bebê está morto. Com todo o sofrimento do mundo, a nossa protagonista vê a vida se desenrolar em sua frente: os médicos são frios e não sentem a menor compaixão da mulher; ela é mandada embora como se não fosse digna de nenhuma explicação; e o corpo de seu filho não lhe é entregue. Seu sexto sentido materno sabe que algo está errado, e não consegue esquecer ou superar a perda. É aí que o destino colocar Olívia em sua vida, uma advogada inteligente, perspicaz e disposta a esclarecer a história. Juntas, elas descobrem que muitas outras mulheres, tão ou mais humildes quanto a nossa protagonista, sofrem do mesmo drama. E também entendem que, por trás dessa dor insuportável, existem covardes inescrupulosos e sem coração, e uma rede de tráfico infantil gigante. Reunindo todas as forças que juntas elas possuem, essas mulheres vão à luta pelos seus direitos, e pelos direitos de seus bebês, que elas nem chegaram a conhecer. Nossa protagonista está entre essas mulheres, e tudo que a move é a esperança de, um dia, finalmente, reencontrar seu bebê perdido, e recuperar o tempo em que ficaram separados.

Preciso começar dizendo que este é o meu primeiro contato com a literatura latino-americana. E ele não poderia ter sido melhor. Marcela Serrano escreve de uma maneira completamente incrível, poética e sensível, transportando o leitor para dentro da história, fazendo-o sentir todas as emoções que a trama desperta. Apesar do singelo vocabulário utilizado, o texto cresce bem à frente de nossos olhos, se transformando numa verdadeira obra-prima. A forma como a autora se utilizou de uma lenda muito conhecida em diversos países, e conseguiu transportá-la para sua história, de uma maneira inovadora e totalmente moldada à narrativa que pretendia construir é impressionante, e enriqueceu demais o enredo.

A protagonista é uma mulher impressionantemente forte. Seu caráter simples e decidido é o que se sobressai em sua personalidade. Apesar de sofrida, ela é uma pessoa persistente, que nunca desiste de seus ideais. Seu peito e alma foram marcados profundamente pela perda de seu bebê, e sua vida foi completamente transformada pela certeza cega e inevitável de que a separação não era eterna, como insistiam em lhe afirmar. Sua força, sua coragem, sua determinação, todas essas são características perceptíveis nessa mulher incrível, e são exatamente elas que nos fazem nos conectar tão fortemente com a personagem. Conforme a trama se desenrola, vamos conhecendo cada faceta da protagonista, e assim nos aproximando ainda mais dela. Ao final do livro estamos completa e irreversivelmente envolvidos, e se torna impossível não torcer pelo seu final feliz.

Olívia é o oposto da nossa protagonista. Inteligente, de boa formação educacional e cultural, não se deixa ser enganada facilmente, e está sempre correndo atrás de uma explicação lógica para tudo que a cerca. O que mais impressiona em Olívia é o quanto ela conseguiu se envolver com a história da nossa protagonista, o quanto ela a acolheu e ajudou. Olívia não duvidou em nenhum momento de que existia um grande erro no que havia acontecido com a personagem principal da trama, e foi até o fim para desvendar esse fato. É comovente o quanto elas ligaram-se uma à outra, o quanto se apoiaram e aprenderam mutuamente.

Um fator que eu achei fundamental na construção da história foi a forma como a autora conseguiu deixar a linguagem utilizada no livro totalmente coerente com a protagonista. Temos uma personagem humilde, simples, que não teve grandes oportunidades de formação intelectual na vida. Como nossa história envolve diversos processos burocráticos, como petições, julgamentos e processos, o mais óbvio seria a autora utilizar de todos os termos técnicos correspondentes à esses procedimentos. Mas Marcela fez exatamente o oposto: ela adequou seu vocabulário à bagagem cultural da protagonista, e colocou todos os processos complicados que envolvem o mundo do enredo em uma linguagem de fácil compreensão, o que torna a leitura mais crível e fluido.

Outro elemento positivo que eu encontrei no livro é o tema absolutamente denso que a autora escolheu como foco. Apesar das poucas páginas, é perceptível a pesquisa a que a escritora se propôs antes de começar sua história, e o quanto o enredo evolui no decorrer da narrativa. Os personagens amadurecem, a história ganha corpo e elementos indispensáveis a um bom andamento. Além disso, a importância do assunto é de extrema relevância, inclusive na sociedade atual. O tráfico de menores, independente de ser um tema pesado, é mais do que necessário de ser abordado, principalmente da maneira leve e sensível que Marcela adotou nessa perspectiva. Através da história do título, conhecemos as várias facetas desse submundo, e como podemos combatê-lo com a união e a força que emana de todos nós.

A diagramação é bastante simples, a letra tem uma fonte agradável para leitura, o que contribui no andamento ágil das poucas páginas que compõem o livro. Eu li em duas horas! A capa está delicada e sugestiva, achei-a muito coerente com o enredo que encontramos dentro do livro.

Eu termino essa resenha recomendando a leitura de La Llorona a todos vocês! É impossível não se comover com a luta travada por uma mãe na busca pelo seu bem mais precioso, arrancado dela de forma cruel e bruta. A emoção que a história desperta dentro de nós é quase palpável e não termina depois da última página. A forma como a história entra dentro de nós, nos faz refletir e mudar para melhor e transforma os nossos conceitos é irreversível, as lições de superação e força são para levar para toda a vida! Até a próxima postagem!

Beijos!

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